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domingo, 30 de julho de 2017

Natália do Vale tem grande momento em supersérie

Natália do Vale (Foto: Globo/Rafael Campos)

                    O drama central de “Os dias eram assim”, a separação do casal principal e, agora, sua reaproximação, vem sendo muito bem desenvolvido por Angela Chaves e Alessandra Poggi. Mas não só ele. As cenas de Natália do Vale (Kiki) anteontem no hospital provam que as autoras valorizam o que essa atriz é capaz de fazer. Elas vêm criando boas oportunidades para a mãe da protagonista, o que só beneficia a história.
                      Voltando ao capítulo desta semana, como se sabe, a ação neste momento se desenrola nos anos 1980. Nessa época, a Aids explodiu e matou muita gente que, hoje, estaria aí, medicada e levando uma vida normal. É o que se passa com Nanda (Julia Dalavia), que enfrenta sua primeira internação por infecção oportunista. Ainda não há diagnóstico fechado. Os personagens tratam o assunto como alguma doença passageira. A garota se sentiu mal e acabou sendo levada para um hospital público. Nanda foi atendida pelo Dr. Domingos (Izak Dahora). Ao escutar dele as primeiras informações sobre o estado da filha, Kiki torceu o nariz. Alegou que o médico era um “menino sem experiência” e que a família tem meios de pagar melhor tratamento para a moça. Ao ouvir tais argumentos, Monique (Letícia Spiller) percebeu a verdade e indignou-se: “Preconceito, destratar um profissional só por ser negro”.
                     Didatismos à parte, a sequência foi bem forte, levada com sutileza e domínio por Natália. É muito bom quando a teledramaturgia abre um espaço nobre para personagens coadjuvantes que estão a cargo de profissionais com o talento dela. Desde os primeiros capítulos, a atriz vem enchendo a tela. É caso de esperar ansiosamente o que virá com a revelação de que Nanda está gravemente doente. Promete.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Pomto de Vista: Artur Távola - 1980

“Num ano de poucas novidades importantes na TV, a vitória de Natália do Vale representa o resultado de muitos anos de trabalho honrado e talento, mostrando como vale a pena perseverar naquilo em que se acredita”


          E de repente chega junho e a gente percebe que o ano já vai em meio. O ano é engraçado: ele sempre parece que está apenas no começo até que um dia damo- nos conta de que a metade já passou. Não tem sido um ano tão brilhante para a nossa TV como foi em 1979, por exemplo, cheio de vida e vitalidade, com novas tentativas de programação na Tupi, Bandeirantes e Globo com as séries brasileiras.
          1980 está sendo normal como televisão. A Tupi agoniza e seus dirigentes depois de anos de incompetência continuam negando o real e culpando sempre os outros pelo próprio fracasso. Gente desempregada, salários atrasados, um caos.
A Bandeirantes depois de ter investido sem resultado de audiência (devido a como investiu e não devido a investir) retraiu- se um pouco, mas, solida e segura em sua orientação geral, está tratando de dar força nova às telenovelas e de manter os programas ao vivo que ainda tem. Mas teoricamente está parada.

          A TVE do Rio de Janeiro só agora joga ao ar uma programação nova em apenas quatro programas. A TV Cultura formulou muito bem uma politica para 1980. Ideias ótimas que ouvi numa entrevista de Carlos Queiroz Talles. Oxalá a prática o ratifique .
          A Globo manteve o esquema do ano passado, diminuindo o número de séries brasileiras. Ela sempre dá um jeito de uma por semana, por mês meter uma série filmada. Há menos séries. E a perda de “aplauso” não foi recuperada. Lançou o “TV Mulher”, é certo, bom programa. Não compensou, porém, a perda de espaço para a programação infantil com novos e mais interessantes programas para a garotada à tarde. E o próprio “Sítio do Pica-Pau-Amarelo” está se afastando demais de Lobato em 1980.

          A TVS do Sílvio Santos (e Record em São Paulo) se em matéria de programação continua no mesmo, tem, por outro lado, grande e importantíssima novidade: a conclusão dos estúdios e do complexo de produção de rádio e TV. Agora poderá partir com alguma base para a sonhada programação ao vivo. Empresarialmente está correta.

         No meio desse panorama menos brilhante que o do ano passado em termos de televisão e de novelas que ainda não deram um grande pique de qualidade, uma presença avultou no panorama artístico do ano, foi a dona do primeiro semestre: Natália do Vale. Ela é a mais grata surpresa (não para mim que de muito aponto como talento à espera de realização) do ano. Com ela nasce uma presença fortíssima (e inesperada até mesmo para os estrategistas e “gênios” dos canais), de alta beleza, talento e um cristal de gente boa que dela salta para comover e fecundar o público. Natália é a principal revelação do ano televisivo, a julgar pelo primeiro semestre.

          Podia só ser bonita. Podia só ser boa atriz. Podia só ser naturalmente modesta e bem formada. Cada uma dessas qualidades, isoladamente, já seria bastante. Ela, porém, juntou- as, todas.
Com atrizes da idade e na condição de Natália acontece o seguinte: elas passam anos acumulando experiência. Quando lhes aparece uma personagem de peso já estão mais do que prontas para o desempenho e surpreendem a todos. É que nos anos e anos dos pequenos papéis, das pontas nos humorísticos, dos ensaios teatrais, o talento ia encubando e se acumulando, sem personagens para o receber e dimensionar. Quando os raros bons personagens aparecem a atriz já estava pronta em técnica e sensibilidade de há muito. Aí é um pasmo, um espanto, uma revelação. Mas só ela deve saber o quanto cozinhou tudo aquilo no fogo lento e seguro da esperança.

         Como figura de comunicação ela consegue um lugar próprio. Nem traduz certas doçuras indribláveis da Regina Duarte, nem certas encucações clássicas de Dina Sfat. Consegue um tipo intermediário em que a feminilidade é natural e tanto pode tender para a ternura mais profunda (na linha de Regina) como da sensualidade adivinhada (na linha de Dina). Conta ademais com juventude, força e uma beleza bíblica de comover pela constatação do ser encantado e criança que mora dentro. Na minha opinião é, desde Isabel Ribeiro, a força maior aparecida no vídeo brasileiro: uma vocação acentuada para a dramaturgia, um rosto místico e múltiplo, um pedaço vivo de sentimento à espera da forma artística.

          A Márcia de “Água Viva” corresponde a uma consagração. Uma justa consagração. É fácil perceber que Natália foi tão feliz e deu tanta verdade à personagem, que a partir de uma certa altura o autor começou a escrever para ela solar. E ela solava tão bem (ela e Cláudio Cavalcante) que o autor nem se cansou de repetir e repetir cenas de brigas dela com o Edyr. E quem pensar que é um milagre, uma aparição súbita, desconhece que para chegar a esse ponto uma atriz precisa de anos e anos de trabalho e semi- anonimato, coragem existencial e força de prosseguir sem ceder aos encantos fáceis e ilusórios dos escândalos ou das declarações bombásticas ou sem ceder a certas formas de decadência travestidas de vanguarda. A vitória de Natália coroa anos de trabalho muito sério, honradez pessoal, caráter e talento. Foi a melhor coisa da televisão em 1980 até agora. A melhor e mais linda.

Artur Távola


domingo, 9 de março de 2014

Palavras de Giovanna Antonelli

Entre as mulheres que inspiram Giovanna Antonelli, estão a mãe e a avó da atriz. No universo da atuação, ela admira artistas como Natália do Vale, Glória Pires, Fernanda Montenegro, a escritora Janete Clair, Walderez de Barros, Julia Lemmertz, Fabíula Nascimento, Adriana Esteves e Patrícia Pillar.

"A Natália do Vale é uma atriz linda, fresca, parece que sempre saiu do banho, sempre admirei a Natália, ela é um ser humano incrível. A Glória Pires tem uma carreira que admiro muito, uma inspiração. Como pessoa também ela é fantástica, inteligente, gente boa. Fernanda Montenegro, que acaba sendo inspiração para todo ator. Pela história de vida, de carreira, por tudo que ela já fez. Janete Clair, uma mulher sempre à frente do tempo, escreveu tanta coisa incrível. Walderez de Barros também é uma super atriz. Ela fazia a mãe da Capitu, em Laços de Família, e depois a mãe da Jade, em 'O Clone'. Tenho uma química muito bacana com ela", conta.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Walcyr Carrasco

Quando eu era criança, considerava-se velho um homem de 60 anos. Velho só, não. Velhíssimo. Lembro meus avós de cabelos brancos, gestos cautelosos. Tinham essa idade. Ou até menos. Hoje, surgiu uma geração de “novos velhos”. Não estou falando da baboseira de “melhor idade” e do lixo ideológico do politicamente correto, que tenta maquiar a realidade com palavras delicadas. Há alguns anos, um ator nessa faixa etária jamais seria galã de novela. Se restringiria ao papel de pai, tio, avô. Mas galã? Atualmente, o ator Antônio Fagundes, de 62, é disputado pelos autores. (Eu, que também escrevo novelas, sou testemunha disso.) No ano passado, em Insensato coração, fez par com a bela Camila Pitanga. José Mayer, de 63, acaba de atuar em Fina estampa. Tony Ramos, de 64, será um dos protagonistas deGuerra dos sexos, ao lado de Irene Ravache, de 67. Natália do Vale, presença constante nas novelas, está com 58. Suzana Vieira tem 68. Todos protagonizam histórias de amor, são aplaudidos pelo público e lideram as audiências. Às vezes, como no caso da própria Suzana Vieira, revelam também a vida pessoal, sem medo de mostrar que podem amar e ser amados, com a mesma intensidade dos jovens.


Fonte/Texto Completo: ÉPOCA

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011